Conformidade e rastreabilidade
Caderno de campo em 2026: o que mudou e onde as auditorias apertam
Desde 1 de janeiro de 2026, os registos de aplicação de produtos fitofarmacêuticos têm de existir em formato eletrónico e legível por máquina, por força do Regulamento de Execução (UE) 2023/564. Para os registos anteriores a 2027 há alguma margem. Para a campanha de 2026, o papel já não chega.
O que o registo tem de conter
Cada aplicação tem de identificar o produto pelo nome comercial e número de autorização, a dose e a quantidade, a data, a cultura e a parcela com referência geográfica — na prática, o número de parcelário. Pede ainda a área tratada e o estado fenológico.
O que costuma falhar é o registo "sem demora indevida". Um caderno preenchido no fim da semana, de memória, é exatamente o que se quis eliminar. Na fiscalização nota-se: doses arredondadas, a mesma área para três parcelas diferentes. E como estes registos contam para a condicionalidade da PAC, um erro reflete-se nos pagamentos.
No biológico, o cobre decide tudo
Numa auditoria de biológico, o caderno de campo raramente é lido sozinho. O auditor cruza-o com as faturas e com o stock. Se entraram 200 kg de oxicloreto e o caderno só justifica 150, a conversa muda de tom.
Depois vem o cobre. O limite de 28 kg de cobre metal por hectare em sete anos obriga a converter cada aplicação em cobre metal, pela concentração da formulação, e a somar por parcela numa janela móvel. Em anos de forte pressão de míldio, como acontece com frequência em Portugal, há parcelas que se aproximam do limite muito antes do que se pensa. Quem só faz a conta em dezembro arrisca descobrir tarde que não tinha margem para os tratamentos de setembro.
Sustentabilidade: o caderno como fonte de dados
Nos referenciais de sustentabilidade, e nos questionários de cada vez mais importadores, o caderno deixa de ser prova de cumprimento e passa a ser fonte de dados: tratamentos por parcela, água por hectare, horas de trator e gasóleo para a pegada de carbono, cortes do enrelvamento, fauna auxiliar.
Nada disto é difícil de registar. O difícil é reconstruí-lo depois. Quem registou a rega com volumes tem o consumo de água feito; quem só escreveu "regou" tem de estimar, e um auditor atento percebe.
Justificar o tratamento
O registo do tratamento vale pouco sem o registo do que o motivou: a contagem na armadilha, as primeiras manchas de óleo, o aviso da estação, a chuva desde o último tratamento. É isto que distingue um calendário de uma decisão técnica. E, ao fim de três ou quatro campanhas, o histórico por parcela diz mais sobre a pressão de cada talhão do que qualquer modelo genérico.
Onde entra o GrapeFlow
No GrapeFlow, cada aplicação fica ligada à parcela, ao lote de produto em stock e à meteorologia do dia. O cobre metal é calculado a partir da formulação e acumulado por parcela na janela de sete anos. Os intervalos de segurança aparecem antes da vindima, e o registo segue com a uva até ao lote de vinho.
O formato eletrónico deixou de ser opcional. A questão é se o registo serve só para cumprir, ou também para decidir.
Legislação referida à data de publicação. Confirme as orientações atuais junto da DGAV e do seu organismo de controlo.
Ponha isto em prática — cada adição registada no lote.
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